Um Conto de Natal

É véspera de natal, nas catedrais os sinos badalam, anunciando a chegada do dia mais festivo do ano. As residências estão enfeitadas, as famílias e os amigos se reúnem para festejar, todos trazem imensos sorrisos nos rostos. No Pólo Norte o bom velhinho se prepara para mais um dia de trabalho, veste a sua tradicional roupa vermelha e passa no rosto o creme branco que é o principal detalhe de sua caracterização – ele nem quer imaginar o que iria acontecer se o mundo descobrisse que Papai Noel, Santa Klaus, Pai Natal e outros nomes pelos quais é conhecido, não é na verdade um homem branco. O creme cobre, completamente, a sua pele negra e ele, finalmente, coloca o gorro na cabeça e está pronto para desempenhar a sua função anual. Olha para a esposa, que o tempo todo estivera ali, parada admirando o seu ritual e dá um suspiro profundo. _ Vai dar tudo certo, meu velho – diz ela sorrindo. O velho gorducho pega o saco de presentes e sai para o frio arrepiante lá de fora. No dia seguinte ele volta, encontra a esposa à sua espera e lhe sorri, um sorriso tão amargo que se poderia sentir, ao longe, a dor que vai em sua alma.

_ E então, meu bom velho, como foi? – Pergunta a esposa.

_ Ah, minha querida, nem queira saber.

_ O que aconteceu? – Ela insiste.

_ Não aconteceu nada, minha velha – diz ele com lágrimas nos olhos – nos EUA, não me deixaram entrar pra entregar os presentes, disseram que eu poderia ser um terrorista e, enquanto eu sobrevoava o Brasil, tentaram atingir as renas a tiro, você acredita? Em Portugal, queriam que eu pagasse uma taxa mais do que abusiva para distribuir os presentes, porque disseram que eu era estrangeiro.

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_ Ah, meu Deus! Que absurdo!

_ E não é tudo! Nos países árabes as crianças não aceitaram os brinquedos, disseram que já tinham os seus brinquedinhos, e me mostraram armas, armas de verdade. E para terminar, no continente africano disseram que não iam deixar um branquelo azedo como eu dar presentes aos filhos deles. Dá para acreditar?

_ Ah, meu bom velho, eu sinto muito – disse a mulher.

_ O natal não existe mais, o mundo não existe mais, não existe mais nada para esse velho que vai ficar desempregado, porque as pessoas se esqueceram que o objetivo do natal é celebrar a paz, a tolerância, a igualdade entre os povos, a amizade e o respeito ao próximo.

_ Não fique assim meu velho, no próximo ano as coisas vão estar melhores. – A mulher lutava para conter as lágrimas.

_ Nós acreditamos nisso durante muito tempo meu amor – respondeu – mas agora não dá mais, a verdade é que nunca vai melhorar. O natal agora será apenas uma lembrança na imaginação fértil e cansada desse velho que não suporta mais viver nesse mundo.

E então, antes que a mulher pudesse ver um rio de lágrimas banhando sua face ,o bom velhinho virou-se, recolheu o saco de brinquedos e foi se esconder no quarto, onde tentaria esquecer o seu último dia de trabalho.

 

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Sobre: francomafra

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