O drama do familiar psicótico

Psicopatias costumam figurar entre os problemas que mais impacto causam na família do doente e também nas pessoas imediatamente próximas, como vizinhos, amigos e colegas. De sintomas leves até demonstrações de fúria incontida e sem fundamento, os pacientes portadores de transtornos de personalidade são enxergados como uma bomba-relógio da qual se ouvem os tic-tacs, mas não se vê o visor. Ou seja, nunca se sabe quando ocorrerá a próxima explosão. Isso deixa todos ao redor em estado de alerta, atentos a qualquer sinal de problemas. Muitas vezes, sinais são ensaiados entre estes indivíduos de modo que se avisem uns aos outros sobre o “perigo” que se aproxima mas de forma que o doente não perceba, evitando assim aumentar ainda mais sua irritação.

Mas é uma vida longe de ser meramente desafiadora. Lidar com uma pessoa assim não é como num filme de ficção, onde algumas palavras ou gestos impensados disparam o ataque de fúria – ou uma outra demonstração psicótica qualquer. Trata-se de uma pessoa real, com interferências importantes na história da família e que merece respeito, carinho e atenção. E é uma pessoa da qual se espera carinho e atenção também, mas nem sempre se tem por causa de seu problema. É uma situação muito complicada. Ver um parente – o pai, por exemplo, precisando ser acalmado com medicações como Neozine ou outros antipsicóticos para que ele não agrida ninguém é das situações mais aterradoras e tristes que uma família pode vivenciar.

Sinais

Os sinais de que alguma coisa está errada são percebidos primeiro em casa, mas frequentemente estes sinais são confundidos com nervosismos passageiros, frequentemente associados a problemas no trabalho ou mesmo na família – ou as simples ocorrências de “um dia ruim”. Só com o passar do tempo e a permanência dos sintomas é que as desconfianças tomam vulto – e podem, inclusive, chegar relatos de colegas de trabalho e amigos, reforçando ainda mais a existência de um problema mais sério.

Uma pessoa com transtorno de personalidade – termo médico correto – não costuma ter sentimentos como arrependimentos e empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir pena por uma condição do outro ou remorso por lhe fazer algum mal), e podem ser muito possessivas em relação a objetos e principalmente pessoas. Todos nós já ouvimos falar de crimes passionais justificados por ciúmes descontrolados, ou por traições que nem mesmo aconteceram na realidade.  A mera imaginação de que “pode ter acontecido” já é suficiente para disparar no doente uma crise furiosa na qual nenhuma consequência é medida – e nenhum motivo pela qual a vítima implore fará diferença para o agressor.

Estes são casos mais extremos, mas o transtorno de personalidade pode ter sinais não tão radicais. A agressividade, nervosismo e impaciência surgirão com mais facilidade, especialmente quando ocorrerem frustrações (que se tornam insuportáveis para estes indivíduos), mas nem sempre manifestarão sua raiva das piores formas. Em geral, quando os sintomas estão começando a aparecer e o próprio doente reconhece que algo está errado, o tratamento pode ser mais leve e extremamente eficaz. Em casos mais extremados, medicação pesada como Neozine pode ser necessário para manter o doente calmo, deprimindo setores do cérebro relacionados às emoções e inibindo hormônios ligados à agressividade, por exemplo.

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Suporte

Dar poio a pessoas que estão passando por momentos difíceis como perda de uma pessoa muito estimada, ou alguém que esteja lutando contra uma grave doença nos expõe às fraquezas humanas através do outro. São tristezas, mágoas, negações e desânimos que podem acometer qualquer um de nós. Entretanto, lidar com pessoas com transtornos de personalidade é a certeza de que aquela condição provavelmente não mudará. É um confrontamento diário com o lado B de uma pessoa próxima que pode nos ameaçar mesmo não tendo motivos para isso – ou que pode, no mínimo, nos causar grandes problemas em sociedade, com demonstrações de comportamentos inadequados em público.

Os tratamentos para este tipo de problema são quase sempre sintomáticos e paliativos, pois a desordem que provoca estes comportamentos não pode ser revertida. É necessário acompanhamento psicológico mas, também – e sempre – acompanhamento psiquiátrico, com medicação controlada que deve ser tomada rigidamente de acordo com a prescrição. Mais que isso: é necessário o envolvimento da família, com enormes doses de cuidado e paciência, pois este não é um paciente fácil. É importante que ninguém se exima dos cuidados, o que acontece com frequência por medo de, um dia, ter que se tornar responsável pela tutela daquele indivíduo. Não raro, muitos membros “chegados” desse núcleo familiar desaparecem quando ficam sabendo do problema, para evitar receber responsabilidades indesejadas. A fuga é normal, mas num momento tão complicado para a família do doente, a proximidade dos outros membros é fundamental, sobretudo para ajudar a estabilizar o emocional dos cuidadores.

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