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Meus colegas de faculdade…

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Depois de um penoso ano de cursinho, no qual todo vestibulando é obrigado, de bom ou mau grado, a engolir as abobrinhas servidas por professores marxistóides, recheadas de pornografia e anti-clericalismo, tive a feliz alegria de ingressar na Universidade.Claro, não era a faculdade dos meus sonhos, mas, fazer o que?
Ah!… Universidade!…
O sonho de todo estudante desejoso de aumentar seus conhecimentos, de ampliar seus “horizontes interpretativos”, como se costuma dizer!
Que esperar de uma Universidade, senão um ambiente propício ao desenvolvimento intelectual, a um sadio enriquecimento cultural e a um profundo amadurecimento pessoal, que prepare os jovens para a vida adulta?
Pois é, eram essas as esperanças que depositava na Universidade. Entusiasmava-me a alegria de conviver em um bem selecionado círculo de pessoas que, como eu, passaram pela peneira do vestibular. Que alegria! Que realização! Acreditava eu piamente que agora iria poder me livrar das baixíssimas conversas que se travavam no cursinho que me isolavam. Agora, estava num ambiente bem melhor, com pessoas de nível, pensava eu com ar de superioridade!…
Pois bem, chegaram os dias de aula. Depois de todas as formalidades e apresentações da primeira semana e de alguns dias para conseguir destrinchar o confuso horário da minha turma (o que me valeu algumas aulas perdidas) encontrei por fim a minha classe. Qual não foi minha surpresa – e porque não alegria?! – ao saber que no meu curso havia algumas pessoas que já estavam na segunda faculdade. “Pessoas realmente dedicadas ao estudo e à vida intelectual”, pensei eu. Definitivamente, seria aquele um ambiente no qual eu poderia “enriquecer minha personalidade”, onde eu teria a oportunidade de “quebrar muitos paradigmas”, como me garantira o coordenador do curso. Dentre os “eremitas” do estudo universitário, que bravamente lutavam pelo segundo diploma, se encontravam advogados, engenheiros, químicos, psicólogos, historiadores e até mesmo – ora quem diria? – um filósofo, como ele mesmo se autodenominara.
Minha sala era, então, um ambiente “multi-cultural”, como afirmou uma moiçola, que estranhamente ostentava um pedaço de ferro atravessado no nariz, objeto que mais tarde eu descobri ser um tal de “piercing”. (Bem que minha boa e setuagenária avó me advertira que eu iria me deparar com coisas estranhas na cidade grande (… Mas na Universidade!…).
Foram-se então passando os dias, e eu fui conhecendo meus colegas de classe. Tive logo um susto bem grande quando um dos primeiros rapazes com quem falei, doutorando em Química, se declarou “bruxo”, quando lhe perguntei qual era a sua religião. Ora, essa estória de bruxaria até então me parecia superstição e ignorância. Nunca imaginei encontrar ninguém com esse estranho perfil no culto e iluminado ambiente universitário. Era bem verdade que, no cursinho, me ensinaram que os bruxos não eram tão maus assim, que maus mesmo eram os padres que, durante a terrível Idade Média – triste época onde não se podiam quebrar os “paradigmas” de uma sociedade retrógrada e onde o “multi-culturalismo” era rejeitado –, queimavam esses pobres coitados. Mas… Na Universidade moderna, onde reina a ciência e impera a técnica, alguém se declarar bruxo? E mesmo sendo esse alguém doutorando em Química? Estranho. Muito estranho esse meu primeiro contato na faculdade. Mas, “as coisas haveriam de melhorar”, pensava eu, sempre otimista.
Alguns dias depois desse inusitado fato, conheci outro amigo. Dessa vez o sujeito era historiador. Durante as aulas de Economia percebi uma ligeira inclinação marxista no rapaz, e lhe fui perguntar se ele o era de fato. Ele me respondeu que “sim, mas não um marxista fanático”. O rapaz tinha a mente aberta e dizia-se um “marxista pós-moderno”, que defendia que ninguém tinha ainda entendido Marx, o qual jamais havia postulado um reles materialismo grosseiro, onde o fator econômico seria determinante das relações humanas. A revolução se daria mesmo “pela educação e pelo respeito à diversidade”, garantiu meu interlocutor.
Para compreender melhor do que tratava aquela teoria, perguntei-lhe quais eram seus “gurus” intelectuais.
“Nietzsche e Foucault”, respondeu-me ele imediatamente, e acrescentando, depois de uma breve pausa, que ainda não os havia lido…
Achei esquisito que alguém tomasse por guia intelectual um sujeito doido como Nietzsche, mas o que me surpreendeu deveras foi que alguém se declarasse discípulo de alguém que nunca lera…
Neste mesmo dia tive a oportunidade de, na volta para casa, num apertado vagão de metrô – um dos símbolos do progresso da técnica que traria felicidade aos homens – conversar com uma moça que cursava psicologia em outra universidade. Ele falava de Freud e Jung, e dizia que, embora não concordasse com eles, era fato cientificamente indiscutível que a psicanálise funcionava na maioria das análises comportamentais. Diante dos meus protestos de que a teoria do Freud era imoral e absurda, a moça dizia que não gostava muito da idéia de que todos sofremos com o complexo de Édipo, mas que não tínhamos como negar que de fato as coisas ocorriam daquela maneira… Eu fiquei intrigado e perguntei como ela podia reconhecer que uma coisa era verdadeira e, ao mesmo tempo, discordar dela. Perguntei ainda se não haveria a possibilidade de os psicanalistas forçarem os dados da realidade, afim de adequá-la às suas teorias. Ela então me respondeu solenemente: “não podemos questionar a autoridade da comunidade científica”. Nesse momento tive que descer o trem, pois havia chegado minha estação. E desci do trem com alivio: era absurdo demais para aturar.
Depois dessas experiências um tanto frustrantes das primeiras semanas, recuei um pouco no meu ímpeto de desbravar as inteligências universitárias, cujas amizades sempre desejei compartilhar. Passei a observei melhor a minha classe e vi que o nível das conversas não era muito melhor do que as do cursinho. O burburinho da classe girava em torno das “baladas” semanais promovidas pelos veteranos e pelos campeonatos de futebol, sempre passando, para minha indignação, por piadas de baixíssimo nível. O tempo continuou passando e meu entusiasmo com o mundo universitário foi arrefecendo.
Eis que um dia soube, por acaso, que tínhamos também um “filósofo” em nossa classe. Essa informação foi como uma re-injeção de ânimo em minha esperança universitária. Logo que vi nosso filósofo, corri para conversar sobre sua formação na área. Eu, que de uns tempos para cá passei a me interessar razoavelmente por filosofia, mormente a filosofia de Aristóteles e São Tomás de Aquino, esperava poder aumentar os conhecimentos que havia conseguido com meus parcos estudos. Ao conversar com meu novo amigo filósofo, lhe perguntei quais eram seus autores preferidos, o que ele havia estudado, etc. Ele me falou que não se prendia a autores, que buscava ter “uma visão mais panorâmica da filosofia”. Acrescentou, porém, que recentemente estava estudando Descartes. Ora, eu havia aprendido, em alguns manuais de tomismo, que Descartes marcava uma ruptura com a filosofia perene e, por isto, sempre lhe tive muita reserva. Perguntei ao filósofo se ele não achava estranha a epistemologia cartesiana, que negava a autoridade dos sentidos como ponte entre a inteligência e o mundo exterior. Ele então me disse que, no começo, achou as idéias cartesianas “meio loucas”, mas que tudo era “uma questão de interpretação”. Adiantou-se em afirmar que, ao negar que o sentidos sejam meios seguros de conhecimento, Descartes não negava a existência do mundo extra-mental, como alguns idealistas delirantes. Disse meu amigo filósofo que o que mais o havia impressionado em Descartes era – pasmem! – o fato de que ele havia conseguido “provar a existência do outro”. Essa descoberta — dizia-me o filósofo — “era muito importante em política”, pois, sendo a existência do outro provada, “não poderíamos mais tratá-lo como objeto, e sim com sujeito”.
Essa seria uma descoberta “sem dúvida genial”, garantiu meu filósofo. Eu, que conheço pouca ou nada de filosofia, protestei, afirmando que, segundo Aristóteles, a existência do outro e dos objetos da percepção sensível não poderia jamais ser provada, já que se tratava de uma evidência. “A evidência se constata, não se prova. Só os loucos tentam provar a evidência”, sustentei eu, repetindo o que me ensinou o estagirita.
Meu colega continuou afirmando, sem levar muito em conta a opinião de Aristóteles, que “mesmo assim, a posição cartesiana é válida, dada sua importância política”. Eu tentei replicar, tentando fazê-lo ver quão absurda é a teoria de que é necessária uma prova de que o outro existe. Ele, dando mostras que não se interessava muito por polêmicas, terminou a conversa com uma frase solene: “no fim, tudo se resume a uma questão interpretativa, onde todos as posições têm seu valor”…
E assim terminou – frustradamente – minha epopéia universitária em busca de conversas intelectualmente proveitosas. Tive a infeliz oportunidade de perceber que o homem moderno vive na mais absurda “alienação”, a alienação do bom senso, e defende as teorias mais gagás, sem nenhuma relação com a realidade. Logo me veio à cabeça às palavras do Papa, que tanto tem criticado essa cruel “ditadura do relativismo”, onde cada um cria sua verdade, de acordo com seus critérios, resumindo todo conhecimento a uma questão de vontade. A ditadura do relativismo, no fundo, é uma negação da razão, uma negação da possibilidade do homem conhecer as coisas objetivamente. O mais engraçado é que, justamente, o mundo moderno se pretende um iluminado filho do racionalismo, uma reação ao obscurantismo medieval, quando reinava o fundamentalismo e a ignorância…
Quanto aos meus colegas, apesar da flagrante – e hilariante – superficialidade intelectual, pude ver claramente que eles se julgavam o supra-sumo da intelectualidade brasileira…
…O triste, para o país, é que eles parecem que o são…

 

 

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