Mãe a gente obedece

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Lá em casa somos em três irmãos: eu, meu irmão do meio e a caçula, que veio de surpresa quando eu já estava com mais de dezoito anos. A família sempre foi mais simples, já que minha mãe trabalhava com costura informalmente e meu pai se aposentou cedo por causa de problemas de saúde. Então desde cedo, meu irmão e eu precisamos trabalhar pra ajudar em casa. Mas não era nada que nos impedisse de ser uma família feliz e unida. Só que eu mantive meus estudos mesmo depois de começar a trabalhar – e meu irmão, que não era muito chegado nisso, “aproveitou” pra largar. Ele foi até a oitava série e abandonou os estudos, se ocupando de sua profissão de office-boy num banco. Eu segui em frente e passei no vestibular pra Odontologia numa universidade federal. Um ano depois, nasceu a Clarinha, que pegou todo mundo de surpresa.

A escolha do meu irmão não deixou meus pais muito contentes; afinal, queriam que todo mundo estudasse pra ter uma vida melhor que a deles. Mas respeitaram a decisão e deram o apoio que ele precisava (o ressentimento, eles guardavam só pra eles). Renato realmente parecia muito feliz com a escolha que tinha feito. Trabalhava bem, era pontual, assíduo e tinha a simpatia de todos no banco; o salário obviamente não era muito alto, mas ele conseguia deixar boa parte nas mãos dos meus pais e ainda guardava um pouco pra ele. Pra evitar gastar, quase não saía pra se divertir, e mal comprava coisas pra si. Aquilo foi deixando minha mãe meio agoniada e, um dia, ela falou pra ele: “sai de casa, menino! Vai aproveitar a vida! Novo assim e enfurnado em casa, isso não tá certo.”. Meu irmão ficou espantado e, depois, pensativo. Passou-se um mês e, um dia, ele chegou em casa dizendo que tinha conseguido um visto de trabalho pra um emprego temporário nos Estados Unidos. A casa chacoalhou.

Visto?? Visto aonde??

Minha mãe travou quando ouviu e meu pai fechou o jornal que estava lendo. “Visto? Como assim ‘visto’?”. E Renato então explicou que já tinha lido sobre trabalhos temporários no exterior e que achou uma ideia interessante. Conversou com o chefe dele no banco que, diante do interesse dele, achou que seria uma boa oportunidade de crescimento praquele funcionário tão prestativo. Ele entrou em contato com um amigo que tem uma empresa nos EUA, e esse amigo arranjou uma vaga nessa empresa. De lá mesmo conseguiu-se um visto de trabalho temporário de três meses pro Renato, que trabalharia como office-boy lá e aproveitaria pra treinar o inglês.

“Treinar o inglês? Como assim? Você sabe falar em inglês?”, perguntei, esperando que ele dissesse que não. Mas ele disse que sim! O safado tinha uma facilidade tremenda em aprender idiomas estrangeiros e aprendeu MUITO traduzindo músicas e vendo filmes em inglês com legenda – até o ponto de mal precisar delas. Com isso, ele não conhecia uma única regra gramatical do idioma: ele sabia inglês instrumental, ou seja, sabia o inglês na prática mas não na teoria. Mas isso não importava porque, se ele consegue se comunicar sem grandes dificuldades, ele consegue se virar em qualquer situação. A gente mal podia acreditar. Renato não tirava o sorrisinho descarado da cara, adorando o nosso espanto coletivo!

Saiu de casa MESMO!

E pensar que a gente achava que Renato ia ficar meio encostado na vida. Isso que dá ir nascer em Minas Gerais! Mineiro realmente come quieto! A gente Não fazia a menor ideia de que ele arranjou esse jeito de estudar outro idioma, menos ainda que ele e o chefe estavam arquitetando essa viagem. Acho que ele não disse nada antes porque, caso desse tudo errado, ele não precisaria dar maiores explicações. Ele disse que não: disse que não falou nada pra evitar que as notícias se espalhassem antes da hora e o pessoal botasse “olho gordo” nele. Hehehehe! Ele é meio supersticioso com essas coisas.

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Meus pais ficaram muito orgulhosos da resolução e da coragem do Renato, mas minha mãe ficou com o coração apertado. Ela acha avião a coisa mais perigosa do mundo, e só de ver as manchetes que falam sobre algum tiroteio em escola americana – e essas notícias que realmente costumam ser frequentes por lá – ela tremia nas bases e os olhos se enchiam de lágrimas. Um medo danado de acontecer alguma coisa com o Renato.

Mas não aconteceu nada! Lá foi ele voando pras terras norte-americanas, conhecer gente diferente, um modo de vida diferente e um idioma que não lhe era assim tão estranho. Trabalhou de office-boy conforme o combinado – e não tentou permanecer por lá como ilegal: assim que o período previsto terminou, ele voltou pro Brasil. E tinha tantas estrelas nos olhos que resolveu voltar a estudar só pra poder voltar lá de novo, mas com visto permanente. Sem deixar de ajudar em casa.

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