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Exército de Israel fecha três estradas perto da Faixa de Gaza

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O Exército de Israel informou nesta sexta-feira (16) que estava fechando para a passagem de civis três estradas que levam à Faixa de Gaza ou fazem divisa com ela.

A medida pode ser de preparação para uma ofensiva terrestre ao território palestino, após três dias de escalada da violência na região.

Segundo o secretário de gabinete, Zvi Hauser, o governo de Israel está buscando a aprovação ministerial para recrutar até 75 mil soldados reservistas.

Também nesta sexta, um foguete lançado pelo braço armado do Hamas caiu na região de Jerusalém.

Ele atingiu uma região não habitada no conjunto de colônias do Goush Etzion, na Cisjordânia, sudoeste de Jerusalém, sem causar vítimas, segundo a polícia.

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Sirenes antiaéreas soaram na cidade, sede do governo israelense, que fica a 70 quilômetros da Faixa de Gaza, antes de um impacto ser ouvido, segundo testemunhas.

A Cidade Santa é um dos principais pontos das emperradas negociações de paz entre os dois países. Israel considera Jerusalém como sua capital “‘unificada e indivisível”, além de sede do governo, enquanto os palestinos querem transformar a parte oriental da cidade na capital de seu futuro Estado.

Tel Aviv
Mais cedo, o Hamas lançou um foguete Qassam em direção à cidade israelense de Tel Aviv. Ele caiu no mar. Sirenes e uma forte explosão também assustaram os moradores.

Policiais israelenses procuram por foguete que teria caído na região de Jerusalém nesta sexta-feira (16) (Foto: AP)Policiais israelenses procuram por foguete que teria caído na região de Jerusalém nesta sexta-feira (16) (Foto: AP)
Israelenses se protegem em escada de prédio de hospital após ouvirem sirenes antiaéreas nesta sexta-feira (16) em Jerusalém (Foto: Reuters)Israelenses se protegem em escada de prédio de hospital após ouvirem sirenes antiaéreas nesta sexta-feira (16) em Jerusalém (Foto: Reuters)

Na quinta e sexta-feira foram disparados três foguetes contra a metrópole de Tel Aviv, e dois deles caíram no mar.

No total, 23 palestinos foram assassinados em três dias e 235 ficaram feridos em cerca de 500 ataques aéreos israelenses, enquanto três civis israelenses morreram na queda de um foguete sobre um imóvel no sul de Israel.

Trégua frustrada
Um porta-voz do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia acusado pouco antes o Hamas, que governa Gaza, de não respeitar uma trégua provisória anunciada por Israel durante a visita do premiê do Egito, Hisham Kandil, ao território.

“O Hamas não respeita a visita do primeiro-ministro egípcio a Gaza e viola a trégua temporária com a qual Israel concordou durante a visita”, disse Ofir Gendelman, porta-voz de Netanyahu, que está em campanha eleitoral.

O Hamas afirmou que esperou a saída de Kandil para retomar os ataques.

Bombardeio israelense ergue fumaça sobre a cidade de Gaza nesta sexta-feira (16) (Foto: Jack Guez/AFP)Bombardeio israelense ergue fumaça sobre a cidade de Gaza nesta sexta-feira (16) (Foto: Jack Guez/AFP)

Egito
Kandil disse que seu país vai “intensificar esforços” para conseguir uma trégua entre os grupos armados palestinos e o estado de Israel.

Ele fez em uma breve visita ao território para tentar deter a violência dos últimos dias, detonada após Israel ter matado Ahmed Jaabali, principal comandante militar do Hamas.

Uma autoridade palestina próxima aos mediadores do Egito disse à Reuters que a visita de Kandil era o começo de um processo para explorar a possibilidade de se chegar a uma trégua. “É cedo para falar de qualquer detalhe ou de como as coisas vão evoluir”, afirmou.

A violência em Gaza criou preocupação em um Oriente Médio agitado por dois anos de revoluções democráticas no mundo árabe e uma guerrra civil na Síria que ameaça se espalhar por toda a região.

O premiê egípcio qualificou de “agressão” a ocupação israelense.

O premiê do Egito, Hisham Kandil, à esquerda, e o líder do Hamas Ismail Haniyeh acenam nesta sexta-feira (16) na cidade de Gaza (Foto: Reuters)O premiê do Egito, Hisham Kandil, à esquerda, e o líder do Hamas Ismail Haniyeh acenam nesta sexta-feira (16) na cidade de Gaza (Foto: Reuters)

 

O Egito, que atualmente tem um governo islâmico considerado ideologicamente próximo ao Hamas, já negociou tréguas anteriores entre Israel e militantes palestinos na Faixa de Gaza.

Kandil reiterou que o Egito, que assinou um tratado de paz com Israel em 1979, defende a criação de um Estado palestino, tendo Jerusalém como capital.

mapa gaza 16/11 (Foto: 1)

Repercussão
A União Europeia admitiu nesta sexta-feira que Israel tem o direito de defesa, mas pediu ao país uma “resposta proporcional” aos ataques dos grupos palestinos.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou estar “profundamente preocupada com a escalada da violência” e lamentou a perda de vidas nos dois lados.

O governo dos Estados Unidos pediu na quinta-feira a Egito e Turquia que utilizem sua influência com os palestinos para acabar com os disparos de foguetes a partir de Gaza, ao mesmo tempo que considerou que o Hamas deve interromper os ataques “injustificáveis”.

A primeira-ministra (chanceler) alemã, Angela Merkel, pediu ao Egito que use sua influência sobre o Hamas para pôr fim à violência, disse o porta-voz dela, acrescentando que “Israel tem o direito e a obrigação” de proteger sua população.

“O Hamas em Gaza é responsável pela irrupção da violência”, afirmou o porta-voz de Merkel, Georg Streiter. “Não há justificativa para o disparo de foguetes contra Israel, que tem resultado em enorme sofrimento para a população civil.”

O negociador-chefe dos palestinos para a paz, Saeb Erekat, cujo empenho para firmar um acordo com Israel é considerado uma traição pelo Hamas, disse que os esforços do presidente palestino, Mahmoud Abbas, estão concentrados em uma coisa: fazer a violência retroceder e salvar vidas em Gaza. “É isso o que estamos esperando”, disse.

“Nenhuma pressão pode deter nossos esforços nas Nações Unidas”, disse ele, referindo-se às ações para levar a Assembleia-Geral da ONU a votar no fim do mês a concessão do status de Estado observador aos territórios palestinos, incluindo a Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Manifestações em apoio ao Hamas aconteceram na Cisjordânia, no Irã, no Cairo e nos campos de refugiados palestinos no Líbano.

No Líbano, o movimento xiita Hezbollah comemorou os ataques a Tel Aviv, falando de um avanço significativo.

Muçulmana protesta contra as operações militares de Israel em Gaza nesta sexta-feira (16), em protesto diante da embaixada dos EUA em Kuala Lumpur, capital da Malásia (Foto: Lai Seng Sin/AP)Muçulmana protesta contra as operações militares de Israel em Gaza nesta sexta-feira (16), em protesto diante da embaixada dos EUA em Kuala Lumpur, capital da Malásia (Foto: Lai Seng Sin/AP)

Paz congelada
O Hamas rejeita totalmente a diplomacia de Abbas.

O movimento se recusa a reconhecer o direito de existência de Israel. Já o presidente palestino, Abbas, que governa a Cisjordânia, reconhece Israel, mas as conversações de paz entre os dois lados estão congeladas desde 2010.

Os partidários de Abbas dizem que levarão adiante o plano de tornar no fim do mês a região um “Estado observador” na ONU, em vez de uma mera “entidade”, como é classificado atualmente.

O conflito representa um teste para o compromisso de Morsi com o acordo firmado entre Egito e Israel em 1979, visto pelo Ocidente como um alicerce para a paz no Oriente Médio.

Última guerra
A última guerra entre os dois lados, uma blitz aérea israelense que durou três semanas e uma invasão por terra durante o período de Ano Novo de 2008-2009, deixou mais de 1.400 palestinos mortos, a maioria civis, e matou 13 israelenses.

“Se o Hamas diz que compreende a mensagem e se compromete com um cessar-fogo duradouro, via os egípcios ou qualquer outra pessoa, é isso que nós queremos. Queremos tranquilidade no sul e uma forte dissuasão”, disse o vice-primeiro-ministro de Israel, Moshe Yaalon.

“Os egípcios têm sido um canal para a passagem de mensagens. O Hamas sempre se volta para pedir um cessar-fogo. Estamos em contato com o Ministério da Defesa egípcio. E poderia ser um canal em que um cessar-fogo seja alcançado”, disse à rádio israelense.

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