E.U. A x Afeganistão, Um engano histórico.

Depois de mais de uma década de soldados americanos combatendo em território afegão, a polêmica da vez fica por conta de um soldado que surtou, saiu fortemente armado da base militar e abriu fogo contra dezesseis civis, incluindo nove crianças e três mulheres nesse domingo, dia 11. Em resposta, os indignados talibãs prometem intensificar os ataque e matar os americanos “selvagens e doentes mentais”. E na briga entre o mar e os rochedos, quem sofre como sempre é o pobre marisco, ou, nesse caso, os civis.
O que poucos sabem é que durante o período da guerra fria, quando a União Soviética invadiu o Afeganistão , foi o governo dos estados unidos que armou os mujahidins, combatentes de milícias talibãs, para que estes fizessem frente aos soviéticos, que na época era uma superpotência militar e ameaçava a hegemonia americana. Mas o tempo passou e os talibãs se tornaram muito fortes, assumiram o poder e transformaram a vida do povo afegão em um inferno.
Ouvir música, dançar, ver televisão ou ter videocassete foi proibido. Ler livros, andar livremente, acessar internet nem pensar. Mas foi principalmente para as mulheres que as imposições foram ainda mais degradantes, pois estas foram banidas do mercado de trabalho, proibidas de estudar e tiveram o acesso à saúde negado. Só podem ser atendidas pelas poucas medicas que ainda conseguem trabalhar, mas ainda assim os medicamentos são reservados aos homens. Mulheres não podem sair na rua sem a companhia do marido, pai ou irmão, não podem usar qualquer tipo de maquiagem, rir, deixar parte do tornozelo à mostra ou fazer sons ao caminhar na rua. Quaisquer violações dessas regras resultam em espancamentos, que podem resultar em morte ou incapacitação. Apedrejamentos públicos e decepação de membros também são penas aplicadas por motivos fúteis. Além da violência da milícia, eles também garantem aos homens civis o direito de cometer qualquer brutalidade contra suas companheiras, irmãs ou filhas. Na verdade, consideram as mulheres criatura sub-humanas.
Quando os estados unidos invadiram o Afeganistão, prometeram derrotar o regime talibã, levar democracia e direitos humanos ao país. Quanto aos talibãs, quase conseguiram, mas eles se reorganizaram e vem recuperando suas forças novamente. A democracia está muito longe de ser recuperada e os direitos humanos… Bom, esses nunca passaram por lá. Na verdade, antes os afegãos tinham um inimigo, agora, depois da guerra, têm vários: o próprio talibã, os cartéis de droga que cresceram assustadoramente, os senhores da guerra, inimigos dos talibãs, mas igualmente nocivo para o povo, e as forças ocupantes, que nunca distinguiram muito bem quem eram os terroristas e quem eram os civis.
Milhares de pessoas morreram. A miséria, o terrorismo, o desemprego e a corrupção imperam e as ruas estão cheias de órfãos e viúvas, que não podem trabalhar e precisariam de um homem da família para garantir-lhes o direito de sair nas ruas para esmolar sem levar uma boa surra, caso encontrem pela frente a milícia talibã. Depois de mais de uma década de uma guerra longa, infrutífera e que deu um prejuízo enorme para todos os envolvidos, os E.U.A ensaiam uma retirada de suas tropas, que devem sair até 2014.

Quanto ao ataque do surtado aos civis, Obama se manifestou considerando o “incidente” trágico e chocante. Assim como tem sido toda a participação americana no Afeganistão.

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Sobre: silvana vieira

Livros pra mim são como álcool para alcoólatras: sem eles tenho síndrome de abstinência e é sempre preciso evitar a primeira página, pois depois vem as cem primeiras, as duzentas primeiras e só paro quando a cabeça começa a doer...escrever é consequência, é tentar colocar ordem no caos, é jogar pra fora a confusão e encontrar a serenidade que só as palavras podem me dar.

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